Marek Kemnitz

Erlan: Marek, primeiramente, muito obrigado por ter aceitado o meu convite. Só Deus sabe o quanto foi difícil para você falar comigo. Nós temos nos falado por 2 semanas, e agora finalmente temos tempo para conversar. Você agora pode se apresentar. Quem é você, onde mora, o que faz da vida. Este espaço é seu agora.

Marek: Obrigado por seu convite. Meu nome é Marek, sobrenome Kemntiz. Eu vivo em um subúrbio perto da capital Varsóvia. Tenho 67 anos, casado, e tenho 3 filhos adultos, que moram sozinhos, estou aposentado. Eu gosto da minha vida.

Erlan: Excelente. É um prazer te conhecer oficialmente.
Eu sou brasileiro e quando as pessoas pensam em Brasil, tendem a pensar em festas, Carnaval, futebol. Eu gostaria de saber, o que você pensa sobre o Brasil?
Qual a primeira coisa que vem à sua mente quando ouve a palavra Brasil?

Marek: Sim, você está certo, a primeira impressão é o Carnaval, o futebol e talvez a Floresta Amazônica, além de pessoas amigáveis e cheias de vida.
É a minha primeira impressão, mas eu sei que o Brasil é um país muito grande. Rio de Janeiro e seus monumentos famosos. Sei também da existência das favelas.
Essa são as minhas impressões principais sobre o Brasil.

Erlan: Excelente. Marek, eu recebi uma mensagem aqui do Skype dizendo que hoje é o seu aniversário. É isso mesmo?

Marek: Não 100%. Na verdade é amanhã. Infelizmente, amanhã eu farei 68 anos. Na minha idade, não é um evento muito feliz, mas não há o que fazer né, rs? Tenho que aceitar. Ninguém é perfeito.

Erlan: Ok, então aceite minhas congratulações. Feliz aniversário.

Marek: Obrigado

Erlan: Você viveu toda a sua vida na Polônia?  Ou viajou para outros países também?

Marek: Eu diria que sou um homem de sorte porque eu tive a oportunidade de viver por muito tempo em países diferentes. Tudo isso por causa do meu emprego. Eu trabalhei e morei 13 anos na Alemanha Ocidental, há muito tempo atrás e após isso, 5 anos na Hungria. Com o fim do meu emprego, eu passei mais 15 anos na Alemanha, na cidade Colônia. Então Alemanha e Polônia são os 2 países em que eu passei a maior parte da minha vida.

Erlan: Bem, eu assumo que você fale Inglês (já que nós estamos falando inglês), Polonês, Alemão, o que mais?

Marek: Durante a minha época de escola e Universidade, eu tive que aprender Russo. Eu diria que eu gosto da língua russa e eu a usei bastante durante a universidade. Eu liderei alguns grupos de estudos russos, que haviam na Polônia. Além disso, eu me aproveitei do fato de que minha esposa é húngara. Eu a conheci quando trabalhei na Hungria e então fomos para a Polônia e ela já mora há 30 anos na Polônia. Então, eu tive que aprender Húngaro também. Não é fluente, porque não é uma língua que eu precise usar diariamente, mas sim, eu falo Húngaro também.

Erlan: [em russo] <<Nós podemos conversar em Russo>> rs

Marek: [em russo] Você até que fala bem.

Erlan: [em russo] Sim, sim.

Marek: É uma velha história. O estudo das linguagens é muito bom. Existe uma relação entre as línguas russa e polonesa. Talvez a história não seja tão boa, mas as linguagens e o povo são muito bons.

Erlan: Bom, você passou por muitos países durante a sua vida. Então, qual o melhor país em que você já viveu.

Marek: Eu sou patriota, então acho que talvez seja complicado avaliar países ou dar uma nota e dizer qual país é melhor que o outro. Na Alemanha a palavra-chave é “ordem”. É um país onde viver era muito fácil, mas havia muitas regulações. Quase toda parte da vida deles estava sob controle. Você ficaria não acreditaria. Eu fique chocado quando eu fui lá e fiquei sabendo que os cachorros estavam proibidos de latir entre as 10h e às 13h. Então os donos tinham que calar seus cachorros por 3 horas, caso contrário, se latissem, eles pagariam uma multa. Eu diria que a coisa mais importante é manter as suas raízes. Eu tenho família na Polônia, mas às vezes eu brinco com eles dizendo que eu iria para a Alemanha, porque o país tinha uma economia melhor e seria melhor financeiramente, mas eu seria sempre um estranho neste país, então eu acho que a Polônia é o meu país e vou encerrar minha vida aqui mesmo.

Erlan: Meu conhecimento sobre a Polônia pode ser resumido a Robert Lewandowski, do Bayern de Munique, Robert Kubica, corredor de Fórmula 1 e a página do Facebook PolandBall. Como você descreveria a Polònia para um estrangeiro que nunca foi para lá?

Marek: Bom, eu diria que a Polônia agora é um país normal, democrático e de tamanho mediano, situada no centro da Europa. Talvez há algumas coisas específicas do povo polonês.
Polonês gosta de reclamar de tudo, rs. Não são muito satisfeitos com o modo como vivem, mas talvez isso venha da natureza de nossa população. A Polônia é hoje um país mais desenvolvido e moderno, o que é um reflexo do progresso ocorrido aqui nos últimos 20 anos e especialmente após nossa união à União Europeia há 8 anos. Neste período, a Polônia se desenvolveu bastante. Tem exemplos bem relevantes, do tipo, ferrovias. Por 20 anos nós tínhamos apenas 200 km de ferrovias. Hoje em dia, temos cerca de 3.000 km. O país se desenvolveu. Mas se você perguntar a um cidadão polonês padrão, ele provavelmente via reclamar da vida, da economia, de como o dinheiro vale menos em comparação com outros países, como Alemanha ou Inglaterra. Como tem um salário baixo. Então se você quiser nos visitar, você poderá perguntar um polonês se ele aceita tomar uma Coca, ou um chá, ele provavelmente vai te responder: NÃO! Talvez após a segunda ou terceira vez, ele aceite. Essa é a forma como vejo meu país,

Erlan: Ok, no início você me disse que está aposentado. Em que área você trabalhava antes da aposentadoria?

Marek: Eu sou um economista, contanto eu trabalhei minha vida toda em uma grande empresa Polonesa e é por isso que eu me mudava de um país para o outro com frequência. No final da minha carreira, eu liderei uma divisão de nossa empresa na Alemanha.

Erlan: Como um economista, como foi estudar essa disciplina, mas viver em um país ou em países governados por partidos comunistas, cuja economia era planificada. Como você descreveria o Comunismo para nós?

Marek: Sabe, em minha opinião isso é passado. Aprendemos a superar isso e esquecemos o lado negativo. Eu vivi mais de 20 anos em um país comunista e por um lado, foi uma vida muito complicada, especialmente no final desta era. A economia estava em uma situação muito ruim então para alguns produtos haviam selos [devido à restrição]. Selos para açúcar, selos para carne, para gasolina. Era o lado ruim de nossa vida. Eu diria que hoje em dia não há perigos de perdemos nosso emprego. As pessoas tinham menos dinheiro, mas era o suficiente para viver.